…porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação.” Filipenses 4.11

Vivemos numa geração do descontentamento, há em nossos dias um espírito de ingratidão e descontentamento, muito próprio decorrente de uma sociedade consumista, descartável e materialista. As pessoas correm atrás de algo para saciar seu vazio existencial e quando alcança logo descarta e vai em busca de outro, uma vida superficial, assim os relacionamentos também são produzidos na forma do “se não for o que eu quero eu troco”, da mesma forma são tratadas as coisas que adquirem, e ainda pior, os filhos dessa sociedade nascem contaminados pela maldição do descontentamento.

O que é descontentamento: É a falta de satisfação no essencial, falta de alegria pelo ato de estar suprido, falta de felicidade de alma, é a vida sem satisfação e sem gratidão em Deus.

As causas para o descontentamento: As causas que movem o sentimento e o ato do descontentamento são o Egoísmo, a Inveja, a Cobiça e o Ciúme, que funcionam como uma infecção na alma que impede o sentimento de gratidão e satisfação na vida das pessoas.

A Bíblia fala sobre o contentamento em várias passagens (Provérbios 30.7-9;  1 Timóteo 6.6-8; Hebreus 13.5; etc). É um conceito bem diferente daquele do mundo em que vivemos, no qual as pessoas são estimuladas a não se contentarem, movimentando assim as engrenagens da sociedade de consumo.

Como podemos ser pessoas contentes em um mundo descontente? O apóstolo Paulo nos ensina no texto de Filipenses 4.11-13:

I – O CONTENTAMENTO PRECISA SER APRENDIDO – v.11 “…aprendi a viver contente em toda e qualquer situação”.

O contentamento é uma arte que precisa ser aprendida. Ninguém nasce sabendo. Pelo contrário! Nossa natureza humana carnal é inclinada para o descontentamento.

Se Paulo aprendeu a contentar-se, nós também podemos aprender. Deus está disposto a nos ensinar! Mas será preciso um esforço consciente de nossa parte.

II – O CONTENTAMENTO NÃO DEPENDE DAS CIRCUNSTÂNCIAS – v.12 “…Tanto sei estar humilhado como também ser honrado…tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez…”.

Desse modo, vemos que o contentamento não depende das circunstâncias em que nos encontramos. É um ensino diferente daquele que estamos habituados a ouvir. Mas é verdadeiro!

Costumamos pensar que quanto mais tivermos, mais contentes seremos. Mas não é o que ocorre. Quando perguntaram a John Rockefeller (na época, o homem mais rico do mundo) de quanto dinheiro uma pessoa precisava para ser feliz, ele respondeu: “Só mais um pouquinho!”. As circunstâncias não são o segredo da felicidade.

Contentar-se não significa ser acomodado. É legítimo termos sonhos e procurarmos prosperar. Mas o nosso coração não pode estar nessas coisas. O fato é que se você não viver feliz com o que tem, não viverá feliz com o que vier a ter.

III – O CONTENTAMENTO É FRUTO DA COMUNHÃO COM JESUS – v.13 “Tudo posso naquele que me fortalece”. Aqui está o segredo!

Paulo estava em Cristo, e Cristo estava nele. Desfrutava de verdadeira comunhão com o Salvador. Sabia que pertencia a Jesus, que fora comprado com seu sangue. Tinha a certeza de que era amado pelo Senhor. Tais coisas o enchiam de plena satisfação!

A letra de um antigo cântico dizia: “Satisfação é ter a Cristo, não há maior prazer já visto. Sou de Jesus, e agora eu sinto satisfação sem fim”. Isso é contentar-se!

Uma menina hospitalizada, após ouvir um culto de Natal pelo rádio, comentou com a enfermeira a respeito de sua alegria. “Mas essa é uma história muito conhecida”, disse a enfermeira. “Entretanto, você não conhece Jesus”, tornou a garota. “Como você sabe?”, tornou a outra. “Porque você está sempre triste”, concluiu a menina.

O contentamento não está relacionado ao que temos, mas ao que somos: somos filhos de Deus!

IV – O CONTENTAMENTO É RESULTADO DE UMA MISSÃO – v.12 já tenho experiência ou experimentado”.

A pessoa que está numa missão passa por certas privações. Mas não se queixa disso, pois está envolvida na realização de uma importante tarefa.

Allen Parker escreveu: “Não há nada que possa fazer uma pessoa se sentir tão bem quanto saber que está fazendo uma saudável diferença”.

Quem tem um propósito vive contente, pois não se concentra nas circunstâncias.

O contentamento não está relacionado ao que possuímos, mas ao que damos: damos de nós mesmos!

Podemos, sim, viver contentes. E isso não tem a ver com satisfazermos todas as nossas vontades. Tem a ver com colocarmos a nossa fé na pessoa certa (Cristo) e assumirmos a postura certa (verdadeira entrega).

O nosso contentamento está em Cristo!

Pastor Vulmar Dutra de Rezende

Foto de Enad Nassar (Divulgação) | Junho de 2015 | Gaza